Diário de uma mãe em surto: a descoberta das redes sociais

A fluoxetina ainda não está fazendo diferença alguma, mas meus pensamentos estão diferentes. Continuo com meu ritual de acordar cedo e tomar meu café solitária. A diferença é que eles não estão se atrasando mais e decidiram não tomar mais café da manhã e sim um copo de leite com achocolatado de guti-guti. Eu achei ótimo. Menos louça para lavar.

Pedi dinheiro para Arlindo Orlando para o conserto da máquina de lavar (que não estragou, mas eu menti que estragou) e paguei para uma senhora passar aquela montanha de roupas enquanto fui à manicure. Marquei hora no cabeleireiro e organizei a casa rapidinho para dar tempo de chegar para o almoço. Estamos comendo de vianda e a comida está ótima. Só dou uma encrementadinha com meu toque pessoal. Eles já estão domesticados, comem sem reclamar e começamos a conversar sobre as coisas do dia-a-dia.

Meu marido levou um susto quando me viu com o cabelo diferente e perguntou se tínhamos algum casamento para ir. Eu disse que havia me arrumado para ele e perguntei se ele tinha gostado. Ele fez uma cara de espanto e não me elogiou, mas pelo menos não me criticou também. Tudo bem. Levantei da mesa e fui convidar mais amigos na minha rede social. Selecionei minhas melhores fotos, aquelas que não pareciam um orangotango depois da guerra e descobri que centenas de pessoas me acham linda de morrer. Viciei-me naquilo. Encontrei muita gente que não via há séculos. Meus filhos já estão arrependidos de terem me ensinado a mexer. Estou subornando o filho menor para que ele desapareça a tarde toda indo para uma lan house enquanto assumo o lugar dele no computador.

O dia passou e nem percebi. Acabei não lavando nem passando roupa hoje e a louça do almoço foi lavada na hora do jantar. Dei uma organizada meio que por cima e voltei correndo para o computador. Meu filho mais velho se rebelou e estou pensando em comprar um computador só para mim. Todos foram dormir e aproveitei para ficar na internet. Quando me dei conta eram cinco horas da manhã e resolvi ir dormir, pois estava um caco. Tô começando a desconfiar que essa tal de internet é coisa de satanás. Mas azar. Tô gostando mesmo assim.

Renata Miranda
Administradora de Empresas com MBA em Gestão de Pessoas
Master Head Trainer Coach
Escritora e Palestrante
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