Quando a política contamina o futebol

Dizem que política, futebol e religião não se discute, imagina discutir política e futebol simultaneamente? Aquela velha história, quando emitimos uma opinião sobre determinado assunto, batemos de frente com opiniões contrárias e isso acaba ofendendo muita gente que não tem discernimento para avaliar pontos de vista contrários aos seus. Corremos o risco de apanhar na rua por ter opinião própria. É bem perigoso. 

Mesmo assim, estamos em plena Copa do Mundo. Não podemos ignorar o fato de que o país está dividido em grupos: os revoltados com os gastos públicos altíssimos em construções de estádios, diante da total falta de estrutura para absolutamente todo o básico que se espera de um governo para uma vida digna, num país que se destaca na lista dos impostos mais altos do mundo e paralelamente a isso com o nível de corrupção tão alto quanto seus impostos. Os que sabem de tudo isso, mas acreditam que não é o momento para protestos diante dos visitantes estrangeiros e mesmo não concordando com essa história da copa ser no Brasil, farão sua parte para mostrar o que o país tem de melhor e defender sua bandeira apesar de todo o cenário político. Os que acham que está tudo lindo e maravilhoso e que devemos sair cantando “Somewhere over the rainbow” jogando flores pelas calçadas, fingindo que moramos no melhor país do mundo, com governantes honestos e preocupados que proporcionam estádios tão maravilhosos quanto seus hospitais. #Sóquenão. E os alienados, que não estão nem aí para o país e muito menos para o futebol.

A Copa no Brasil é motivo de piada para os brasileiros. Muito dinheiro empregado em algo que posteriormente não terá tanta utilidade quanto investir em saúde e educação por exemplo. Mas já que essa questão não tem mais volta, acho válido torcer pelo país e independente do resultado, jamais ignorar como as decisões foram tomadas, saber dos valores absurdos envolvidos comparando com outras copas, pesquisar histórico político dos candidatos antes de votar e, principalmente, raciocinar pela própria cabeça, não se deixar levar por fanatismos e comportamentos mecânicos como uma ovelha que segue a trilha do rebanho só porque uma delas está conduzindo a ponteira sem raciocínio lógico algum. Ter consciência de que somos perfeitos imbecis quando deixamos a corrupção escancarada esfregar absurdos na nossa cara todos os dias, protegida pela impunidade e pela total ignorância de quem fecha os olhos para isso e geralmente reelege político corrupto como se nada tivesse acontecido. A famosa memória curta com uma boa pitada de alienação. 

De qualquer forma, não é hora para protestos. Pensem comigo, é dia do aniversário do seu filho e você brigou feio com o marido em casa. Os convidados não tem nada a ver com isso, certo? Muito menos o seu filho querido. Então deixa para tratar o assunto "marido", que seria o governo, na hora de votar. Porque nem os convidados para a festa e nem a pobre da criança devem sofrer consequências por causa disso.

Vocês notaram alguma revolução depois que o GIGANTE ACORDOU? Protestar agora só vai piorar a situação diante da péssima imagem que já iremos passar naturalmente, sem fazer esforço algum, pela total falta de estrutura para um evento desse porte. Infelizmente.

Como diria o deputado Romário Faria em entrevista a ESPN: “O Brasil tem que ganhar essa copa dentro de campo, porque fora dele, nós já perdemos”.

 

Renata Miranda
Administradora de Empresas com MBA em Gestão de Pessoas
Master Head Trainer Coach
Escritora e Palestrante
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