O lado B da gravidez

Dizem que nenhuma gravidez é igual à outra e estou constatando que isso é verdade. Reza a lenda que azia significa que o bebê é cabeludo, o que é uma bobagem, pois os bebês saem completamente carecas dessa história, mas se isso fosse verdade, estaria grávida de uma chinchila, considerando que a bichinha tem vinte mil pêlos por centímetro quadrado.  

Gravidez aumenta a libido. O Yeah! Mas à medida que a barriga cresce vai ficando complicado ser sexy e não largar uma gargalhada no processo. Além disso, não deixa de ser esquisito saber que está de certa forma fazendo um ménage à trois com seu marido. Tem também a parte ruim que seria uma espécie de TPM por nove meses. Uma variação hormonal muito doida que te faz oscilar da gargalhada ao choro em questão de segundos. Se alguém resolve te irritar, te sobe uma espécie de fúria assassina e você não pensa duas vezes antes de postar mensagens sarcásticas nas redes sociais para se sentir melhor. Sai do nível “comer o cérebro do inimigo” para o nível “jogar flores no ambiente” quando percebe que o bebezinho não pode receber energia negativa. Quando bate aquela vontade enorme de devorar um xis bacon com batata frita, você tem que respirar fundo e encher a cara de gelatina.

Nem toda grávida tem prisão de ventre, mas quando tem ou ela toma fibra misturada na água para ter uma vida normal ou seu intestino se recusa a funcionar como se quisesse te fazer explodir como um carrapato. Tomar leite é o mesmo que colocar um cachorro dentro da barriga que lá pelas tantas começa a uivar escandalosamente. O tal borborigmo. Ah! Se eu pego esse desgraçado! E as costas? Cadê a poesia na hora de dormir quando a base da coluna parece que está sendo aberta com um pé de cabra? Aliás, que dormir que nada! Tudo que dormimos no primeiro trimestre, no último já passamos a ser preparadas para nunca mais dormir na vida. Virar na cama é quase a mesma coisa que uma barata agonizando. Fazer xixi de madrugada é imitar um leão marinho tentando levantar e ir se arrastando até o banheiro. Pior que qualquer movimento brusco já bate aquela vontade de fazer xixi.

Na hora de colocar uma simples meia, parece que você correu a São Silvestre, tamanho o cansaço que dá. Lavar o pé no banho chega ser engraçado pelos malabarismos necessários para cumprir a tarefa com eficácia. Lá pelas tantas você olha pra baixo e não vê mais nada além da barriga. E eu que achava que isso era piada de gordinho. Não é. É a mais pura verdade.

Tô só pela terceira fase, onde tudo começa a inchar e só o nariz fica com nove quilos. A boca revira como uma câmara de pneu de caminhão dobrada ao meio e os olhos parecem que foram atacados por um enxame de abelhas africanas furiosas. Há quem pense que passamos embaixo de uma aroeira e estamos num processo alérgico. Mas cada gravidez é diferente da outra né? Então com sorte dessa parte vou me safar. Ah! E antes que alguém reclame da minha falta de sensibilidade, sou uma grávida extremamente feliz que está adorando a ideia de ser mãe pela segunda vez. Que fique claro. 

Renata Miranda
Administradora de Empresas com MBA em Gestão de Pessoas
Master Head Trainer Coach
Escritora e Palestrante
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