Diário de uma mãe em surto: reunião da escola

Hoje foi dia de reunião na escola do meu filho.  Todos os pais compareceram. Dividiria as pessoas em grupos. Os alienados que nem sabiam o que estava acontecendo ali onde percebi que alguns não abriam a boca nem para concluir um bocejo, pois vi nitidamente que as orelhas se movimentavam numa luta ferrenha para não bocejar tão escancaradamente.  Os pais sensatos, que colocavam sua opinião de forma coerente sobre o que estava sendo exposto e as mães fiasquentas e neuróticas que saíram diretamente de uma novela mexicana e resolveram participar do momento.

Lá pelas tantas a escola propõe uma solução para o problema abordado e pergunta se alguém mais teria outra melhor. A mãe mexicana começa a gritar escandalosamente dizendo que já não dorme mais pensando no quanto sua filha está sendo prejudicada pela insônia com apenas sete anos de idade, muito abalada porque não sabe o curso que vai escolher no vestibular. A mãe sensata concorda com o que foi proposto pela escola, porém sugerindo um período de adaptação enquanto o pai alienado está concentrado limpando a unha com a chave do carro.

Nisso a diretora pergunta se todos estão satisfeitos. A mãe mexicana começa a dizer que não vê a hora da filha sair daquela escola porque é a pior escola que viu no Planeta Terra, quiçá na galáxia, a mãe sensata diz que acha que alguns pontos podem ser repensados enquanto o pai alienado está coçando a orelha com a chave do carro.

A coordenadora expõe o plano de aula para o resto do ano. A mãe mexicana diz que é um absurdo a filha não saber a tabuada de cor aos sete anos e que isso representa um atraso cognitivo temporal nas glândulas sudoríparas da filha, que podem resultar num trauma no processo de coordenação motora com impacto cerebral no que diz respeito ao futuro da Nação. A mãe sensata diz que acredita que mais alguns pontos poderão ser cobrados, pois acha inconsistente o conteúdo apresentado enquanto o pai alienado está focado no ventilador de teto imaginando como seria se ele caísse em movimento e decepasse todas aquelas mães batendo boca nos seus ouvidos.

A psicóloga então se manifesta e pede que todos repensem o momento buscando no seu subconsciente como era sua infância para que revejam seus sentimentos mais profundos e façam uma analogia com seus filhos nos dias de hoje. A mãe mexicana já acha que a infância foi terrível e que ela não gosta nem de lembrar. Sofreu bullying a vida toda na escola por ser feia e chata e acha que a filha pode repetir a saga da família. Ela como mãe tem a obrigação de protegê-la e interferir nas regras da escola para que isso não ocorra. A mãe sensata diz que no seu tempo as coisas eram diferentes, o sistema de ensino também e que achava que os alunos eram mais disciplinados, pois os pais pareciam educar com mais rigor em casa. Hoje em dia muitos pais querem que a escola eduque seus filhos e eles como pais não precisam fazer nada além de pagar a escola. Enquanto isso o pai alienado solta um pum. Termina a reunião.

 

Renata Miranda
Administradora de Empresas com MBA em Gestão de Pessoas
Master Head Trainer Coach
Escritora e Palestrante
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