Diário de uma mãe em surto: cantada de pedreiro

Fiquei tão chateada com a história do Arlindo Orlando ter comprado artigo erótico pela internet que minha autoestima despencou. Ao levar as crianças para a escola passei em frente a uma vidraça e percebi que estava um caco. Minhas bochechas vermelhas de caminhar rápido, meu cabelo preso com uma piranha de qualquer jeito e meus tênis mais pareciam ter saído de uma lata de lixo.

Estava diante de um salão de beleza e resolvi entrar. Parece que renasci das cinzas após meses sem me permitir fazer isso. Com exceção dos tênis ridículos, tudo estava perfeito. Caminhava pela calçada feliz, sabendo que estava muito mais bonita que o rapazinho robusto que Arlindo Orlando havia comprado.

Foi então que passei em frente a uma grande obra e escutei coisas do tipo:

- Você é o ovo que faltava na minha marmita!

- Eu beberia o mar se você fosse o sal.

- E aê gostosa! Tô "fazeno" campanha de doação de órgãos, quer o meu?

- Essa mulher e mais um saco de bolacha eu passo um mês...

- Você é sempre assim ou só tá fantasiada de gostosa?

- Ahhhhh se eu pudesse e meu dinheiro desse!

- Aê cremosa... Vou te passar no pão e te comer todinha!

- Você não usa calcinha, usa porta-jóia!

- Suspende as fritas! O filé já chegou!

- Sexo mata, quer morrer feliz?

- Essa sua blusa ficaria ótima toda amassada no chão do meu quarto amanhã de manhã.

Percebi que aquela calçada foi interminável e que jamais seria a areia do cimento de qualquer um daqueles homens esdrúxulos e suas cantadas xexelentas. Comecei a achar Arlindo Orlando um cavalheiro adorável depois daquele estupro auditivo. Mesmo assim, percebi que ainda estou dando um caldo e definitivamente não tem rapazinho robusto nenhum que esteja à altura de competir comigo. Não sei não, mas algo me diz que hoje tem. Arlindo Orlando não me escapa. 

Renata Miranda
Administradora de Empresas com MBA em Gestão de Pessoas
Master Head Trainer Coach
Escritora e Palestrante
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