Diário de uma mãe em surto: Culpa Zero

Existe a Fome Zero, a Coca Zero e o Recruta Zero. Agora decidi que existirá a Culpa Zero. Vem comigo galera! Liberte-se da sensação de agonia que te invade o peito e enfia a cara num xis burguer estilo calota de opala sem medo de ser feliz. O final de semana está terminando e a vida é muito curta para ficarmos nos culpando por tudo que acontece. “Bóra” se entupir de refrigerante, tomar aquele copo gelado com vontade, que chega a dar uma coisa boa por dentro quando a gente engole. Sentir aquela "coisinha" que dá no nariz quando foi recém-aberto e o gás faz coceguinhas, sabe? O quê? Você acha que isso é desculpa de gorda que não faz nada para emagrecer? Não mesmo, só acho que temos que ter momentos de prazer na vida. E nem me importo se estou com uns quilinhos a mais se você quer saber. Tá bem... Mentira. Mas na segunda eu começo um regime.

Sábado à tarde levei as crianças num aniversário de um aninho, com direito a comer cachorrinhos, docinhos, bolinhos e mais vários "inhos" maravilhosos que só esses eventos proporcionam. Então à noite resolvi sair para jantar naquela pizzaria magnífica que resolveu fazer rodízio e não podia perder por nada desse mundo.

No domingo toda família que se preze faz churrasco. Pelo menos toda família gaúcha que se preze. E então cumpadi, olhei para minha sogra que estava despejando óleo de soja num prato pra bater uma maionese daquelas cheinhas de colesterol, mas que por serem proibidas são simplesmente maravilhosas de comer. A quantidade de colesterol é diretamente proporcional ao sabor maravilhoso que ela possui.

Não sei vocês, mas eu nunca espero as coisas ficarem prontas. Fui logo pegando um pão que estava de bobeira por ali e taquei naquela maionese antes mesmo de ficar pronta, depois fiquei beliscando tudo que é coisa que enxergava pela frente. Quando o churrasco ficou pronto já não aguentava mais comer.

E assim o domingo foi passando, aquele sorvetinho, aquela pipoquinha, saímos para passear e encontramos o seu Zé vendendo churros e algodão doce onde inevitavelmente Pedro e João começaram a gritar que queriam. 

Não tem como escapar, a gente acaba comprando, afinal é domingo. Só vai mudando o tipo de comilança na medida em que você vai caminhando. Aparece um picolé e lá vem eles de novo querendo. E então você compra, porque afinal é domingo, e domingo é domingo e você estava louca para comer o algodão doce dele mesmo, então tudo bem vai. Lá pelas tantas com a garganta grudando de tão doce, comendo aquele algodão com cara de nojo e sentindo aquele treco grudar em meus dentes, procurei desesperadamente o quê? O quê? O quê? O meu amado, idolatrado, salve, salve refrigerante.

Enxerguei um barzinho com a marca dele na placa e senti uma espécie de dormência no cérebro até chegar ao bar com um sorriso do gato de Alice nos lábios, ao mesmo tempo com cara de desespero de tanta sede. Pedi uma latinha bem gelada (até se estivesse quente desceria como uma luva) e senti a vida voltar ao meu corpo. Dizem que para equilibrar o efeito desse refrigerante no corpo precisamos tomar trinta e três copos de água, mas acredito que com sorte até o final do ano eu consiga fazer isso.

Ao terminar minha bebida, sacodi os cabelos como se estivesse numa propaganda de shampoo em câmera lenta, olhei para o lado e vi meu filho parado com a boca toda suja de picolé olhando pra mim sem entender nada. Tudo que ele queria naquele momento era desgrudar o dedo mingo do anelar que grudou com um pedaço do algodão doce que ficou por ali e acabou cristalizando com o tempo enquanto ele comia o picolé.

Nada como um final de semana para a gente “chutar o balde” e atirar tudo pra cima depois de uma semana recheadinha de chateações do cotidiano. E digo isso terminando uma taça de sorvete com bastaaaaaaaante calda de chocolate por todos os lados. E um brinde à minha, à sua e à nossa barriga!

 

 

Renata Miranda
Administradora de Empresas com MBA em Gestão de Pessoas
Master Head Trainer Coach
Escritora e Palestrante
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