CIDADE - 27/04/2015 - 15:11:07 (823 cliques)
Diário de uma mãe em surto vira livro
O lançamento acontece no dia 09 de maio durante a 25ª Feira do Livro de Caçapava

A colaboradora do Caçapava Online, Renata Vivian de Miranda, lançará no dia 09 de maio, a partir das 20h10min, na 25ª Feira do Livro de Caçapava, o livro “Diário de uma mãe em surto”. Uma obra de ficção que cria um universo de acontecimentos. São 27 capítulos com situações do cotidiano aliando sarcasmo, ironia e humor. 

Renata Miranda é administradora de empresas, atua como servidora pública federal na Universidade Federal do Pampa. Seu estilo preferido é a crônica e seus textos são quase sempre voltados para o humor. Mãe de dois filhos, diverte-se com o universo materno e usa o cotidiano como fonte de inspiração.

Leia a entrevista em que ela fala sobre como surgiu a ideia de escrever, o que os leitores poderão encontrar nas páginas do diário e quais são os seus planos.

Caçapava Online - Como surgiu a ideia de escrever um livro? Lançar um livro fazia parte dos teus planos?

Renata Miranda - Na minha última gestação, comecei a escrever para o Caçapava Online sobre o universo materno e com a repercussão extremamente positiva do público em minha caixa de e-mails, resolvi criar uma personagem fictícia aliando as mais diversas situações que podemos enfrentar na maternidade com uma boa pitada de humor. Transformei os textos em capítulos e montei uma ordem cronológica. Deixei o livro pronto “engavetado”. Era apenas um sonho. Não sabia nem por onde começar. De repente um amigo me apresentou uma editora que tornou isso possível.

Caçapava Online - Qual o nome do livro e por que este nome? 

Renata Miranda - O livro chama-se “Diário de uma mãe em surto”, será lançado pela editora VirtualBooks. O nome surgiu quando percebi que estava escrevendo situações isoladas da vida de uma mãe muitas vezes em apuros. Me dei conta que ao longo do tempo, uma pessoa pode surtar quando enfrenta diversas dificuldades no dia-a-dia e não é valorizada. Algo muito comum de ocorrer com donas de casa, que se matam de trabalhar o dia todo e tem que ouvir que não fazem nada porque não trabalham fora. Quis mostrar um percurso onde ela pensa que vai enlouquecer gradativamente até que um belo dia decide se tratar, com isso descobre uma nova mulher dentro de si. Extremamente forte e capaz de mudar radicalmente suas atitudes.

Caçapava Online - O livro fala sobre um tema específico? O que o leitor poderá encontrar?

Renata Miranda - O livro conta a história de Ana, uma dona de casa que decide ser mãe em tempo integral e vai surtando aos poucos no decorrer da vida demonstrando uma espécie de metamorfose enquanto escreve momentos significativos de seu cotidiano num diário. Os textos estão separados por capítulos seguindo uma ordem cronológica desde o nascimento do primeiro filho até a adolescência dos dois filhos, onde a personagem central vai apresentando uma mudança comportamental. A intenção é provocar uma reflexão profunda sobre nossas atitudes diante da vida. Nos doamos demais para a família, muitas vezes abdicando de nossos sonhos. Nos culpamos demais por tudo que acontece com nossos filhos. No livro mostro que podemos ser excelentes mães e donas de casa sem deixar de cuidar de si mesma e divertir-se no percurso.

Caçapava Online - Qual é a tua inspiração? Você sempre gostou de escrever ou os relacionamentos (família, amigos, colegas de trabalho) e a maternidade despertaram isso em você?

Renata Miranda - Tudo me inspira. Na infância já era assim, aos seis anos escrevi meu primeiro texto na máquina de escrever do meu pai, falando sobre minha relação com meus primos onde éramos porquinhos fazendo tudo que um humano fazia. Pena minha mãe não ter guardado meus escritos, poderia ter sido eu a criadora de Peppa Pig e hoje estaria rica. Chato isso. Se olhar para um cachorro tentando morder o rabo sem sucesso já penso em escrever um texto sobre perda de tempo. Minha inspiração é o cotidiano. Sempre fui muito criativa e sempre tive uma veia cômica ao me expressar. Não sei falar sério com ninguém. Velório e biblioteca é algo extremamente complicado para mim justamente porque sou obrigada a ficar séria. Todas as situações da vida têm um lado extremamente inspirador.

Caçapava Online - Pretende lançar o livro somente na feira de Caçapava?

Renata Miranda - A princípio sim. Estou experimentando novas sensações, descobrindo aos poucos esse universo de livros e autógrafos como uma grande brincadeira. Talvez participe da próxima feira do livro de Porto Alegre. Não sei ainda. Com um bebê pequeno em casa, a logística fica complicada. Uma coisa é certa, no meio disso tudo descobri minha verdadeira vocação que é escrever e ser lida. Agora não tem mais graça guardar meus escritos só para mim.

Caçapava Online - Está ansiosa pelo dia do lançamento? Qual a sua expectativa em relação ao público, se as pessoas irão gostar ou não? Ou você não se preocupa com isso?

Renata Miranda - Sim, estou ansiosa. Mas é uma ansiedade carregada de alegria e satisfação por estar ao lado de pessoas tão queridas para mim, realizando algo que sempre desejei.  Se as pessoas vão gostar não sei, e jamais saberei porque meus amigos são muito gentis e não vão me contar caso a resposta seja negativa. Eu me preocupo sim, porque estou esperando que pelo menos meus amigos comprem o livro. Nem que seja para fazer de conta que foi por vontade própria.

Caçapava Online - Você pensa em escrever um novo livro?

Renata Miranda - Sim. Sem dúvida. Minha intenção é lançar um livro por ano na Feira do Livro de Caçapava, que é um evento que tenho muito carinho e sempre que posso ajudo a organizar. Minhas publicações sempre foram através da internet pelo blog esconderijodarenata.blogspot.com, Caçapava Online e Recanto das Letras, com casos isolados de publicação na Revista Crescer da Editora Abril e um jornal de Aracaju que pedia para publicar semanalmente algo que escrevia no blog. Participei de algumas antologias com escritores da Bahia e Minas Gerais, mas nada se compara ao livro solo. Eu adoro escrever, só não sabia como fazer para transformar meu texto em livro, quais as etapas do processo, pesquisar editoras e verificar os trâmites de contrato. Nunca me preocupei com isso porque a escrita para mim é um hobby, não uma profissão. Agora que descobri o caminho das pedras, sinto muito, mas vocês terão que me aguentar. Escrever para mim é um ato de exorcismo. Algo extremamente terapêutico. É compartilhar sentimentos. Confidenciar loucuras. É se expor completamente como se estivesse pelada no meio da rua. E pior, gostando. Escrever é descobrir-se. Viajar nas palavras e dançar com elas. É enxergar um novo ângulo. Uma maneira diferente de encarar os problemas e alegrias. É gostar de escrever cada vez mais. Como um adorável vício que não fazemos questão nenhuma de descobrir a cura.

 

 

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